Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 10/05/2024
No filme “Wall-e”, é retratado um mundo em que a humanidade passa a viver em uma nave espacial. Ao longo da trama, a narrativa revela que os humanos se tornaram dependentes da tecnologia até mesmo para executar ações básicas. Fora da ficção, boa parte da população brasileira demonstra vício no uso de tecnologias; causado pelo prazer imediato proporcionado pela internet, e que traz prejuízos ao desenvolvimento cognitivo do indivíduo.
Em primeiro plano, cabe destacar que a civilização contemporânea, cada vez mais, busca pela satisfação instantânea. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a realidade atual é a de uma modernidade líquida, na qual a sociedade é pautada pelo imediatismo, buscando a realização rápida de seus desejos, os quais, por sua vez, mudam constantemente. Desse modo, a internet tem se apresentado como um instrumento para satisfazer tal anseio, por via de redes sociais como o TikTok, por exemplo, que contém vídeos curtos com excesso de informações e estímulos a serem processados pelo sujeito.
Em decorrência dessa estimulação excessiva, os cidadãos contemporâneos enfrentam problemas de aprendizagem e cognição, especialmente em crianças e adolescentes. De acordo com dados de uma pesquisa de 2014 do Comitê Gestor da Internet, 81% dos adolescentes usam a internet todos os dias, o que reforça a dependência tecnológica por parte dos jovens. Apesar de proporcionar grande variedade de conteúdo, nem toda a informação fornecida pela internet contribui para a desenvoltura humana, principalmente quando em demasia. Neste caso, ao invés de agregar, a internet impacta negativamente a aprendizagem, na medida em que causa transtornos como déficit de atenção e limita a criatividade do ser.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para amenizar o quadro atual. Para que os estímulos tecnológicos sejam substituídos por hábitos mais saudáveis, urge que as escolas, juntamente às famílias, incentivem a imaginação e habilidades cognitivas em crianças e adolescentes, por meio da leitura e brincadeiras dinâmicas que possam, além de contribuir para o desempenho psicossocial, proporcionar momentos em família. Somente assim, será possível evitar a dependência da tecnologia, como aquela representada em Wall-e.