Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 12/05/2025
No episódio “Queda Livre” da série Black Mirror, retrata-se um mundo distópico onde pessoas vivem obcecadas por avaliações em redes sociais, transformando relações humanas em transações superficiais. Embora fictícia, essa narrativa estabelece um perturbador paralelo com a sociedade brasileira atual, onde o uso compulsivo de dispositivos digitais já configura um grave problema de saúde pública. Evidencia-se, assim, que os desafios no combate à dependência tecnológica decorrem tanto da omissão estatal quanto da falta de conscientização social sobre os riscos do uso excessivo.
Sob essa perspectiva, é alarmante a ausência de políticas públicas efetivas para regulamentar o uso saudável de tecnologias. Conforme Byung-Chul Han, “a sociedade do cansaço” produz indivíduos hiperconectados, porém emocionalmente isolados. No Brasil atual, a inércia governamental em criar mecanismos de proteção aos usuários, especialmente crianças e adolescentes, agrava essa epidemia silenciosa. Enquanto o poder público se omitir, assistiremos ao crescimento de uma geração incapaz de estabelecer relações autênticas fora das telas.
Por conseguinte, os impactos na saúde mental configuram outro aspecto crítico dessa problemática. Segundo a OMS (2023), o Brasil já registra índices de dependência digital comparáveis aos de países asiáticos, com 28% dos jovens apresentando uso problemático da internet. Esse cenário resulta em quadros de ansiedade social, depressão e baixa produtividade, tornando-se evidente que a alienação tecnológica compromete o desenvolvimento de uma sociedade equilibrada e humanamente conectada.
Portanto, são essenciais medidas para promover o uso consciente da tecnologia. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação por meio da criação de um programa nacional de conscientização sobre uso saudável de tecnologias, além de providenciar campanhas educativas em escolas e unidades básicas de saúde, com a finalidade de reduzir os índices de dependência digital. Diante disso, a invisibilidade dada aos transtornos decorrentes do uso abusivo de tecnologia poderá ser mitigada.