Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
No mundo contemporâneo, a tecnologia tornou-se elemento central da vida cotidiana. Se antes era vista como uma aliada para facilitar tarefas, hoje ela desperta preocupações quanto à dependência excessiva. O uso constante de celulares, redes sociais e inteligências artificiais tem gerado comportamentos compulsivos, levantando a questão: estaremos nos tornando reféns das próprias máquinas?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso abusivo de dispositivos eletrônicos pode configurar um tipo de vício, semelhante ao causado por substâncias químicas. Isso ocorre porque a interação com plataformas digitais ativa o sistema de recompensa do cérebro, gerando prazer momentâneo e incentivando o uso contínuo. Como consequência, há prejuízos na concentração, no sono e nas relações interpessoais — especialmente entre jovens, mais expostos à hiperconectividade.
Além disso, o vício em tecnologia compromete a autonomia e o senso crítico. O filósofo Günther Anders já alertava sobre a “obsolescência do homem”, ao destacar que as máquinas, cada vez mais sofisticadas, poderiam ultrapassar o controle humano. Atualmente, algoritmos definem o que consumimos, assistimos e com quem interagimos, o que reduz nossa capacidade de escolha e nos torna dependentes de decisões automatizadas.
Portanto, embora a tecnologia traga inúmeros benefícios, é urgente estabelecer limites para seu uso. Cabe ao Estado promover campanhas educativas sobre o uso consciente da tecnologia, sobretudo nas escolas. Também é necessário regulamentar o funcionamento de plataformas digitais, para evitar práticas que incentivem o vício. Assim, será possível garantir que as máquinas continuem a servir à humanidade — e não o contrário.