Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

“Ensaio sobre a cegueira”, romance de Saramago, retrata a invisibilização de certos problemas na sociedade. Na realidade brasileira, a crítica do autor é verificada no vício em tecnologia, visto que a condição da sociedade diante dessas questões está ligeiramente afetada por diferentes fatores negativos. Com isso, emerge um sério problema, em virtude da alienação provocada pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos e da negligência quanto à educação digital.

Nesse cenário, ressalta-se, de início, que a alienação provocada pelo uso excessivo de dispositivos eletrônicos é um fator do problema. A série “Black Mirror”, por exemplo, apresenta realidades distópicas em que os seres humanos perdem o controle sobre a tecnologia e tornam-se subjugados por ela. De fato, a banalização do uso tecnológico no cotidiano, sem o devido controle, tem papel basilar para o afastamento das relações humanas e a diminuição do senso crítico, posto que muitas das vezes não se tem a inserção devida de tal hábito, fator que reflete significativamente na crescente dependência das máquinas. Logo, urge que a sociedade civil reconheça o poder que esse fator tem de influenciar a relação entre humanos e tecnologia e mude a sua postura.

Além disso, outro fator influenciador é a negligência quanto à educação digital. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, vivemos em tempos líquidos, nos quais as relações e estruturas se desfazem com facilidade. Tal necessidade se faz presente no vício tecnológico, uma vez que a ausência de instrução adequada sobre o uso responsável da internet e dispositivos digitais contribui para a dependência e o consumo desenfreado de conteúdo fútil. Dessa forma, é preciso combater essa necessidade para superar o problema.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação deve inserir, nas escolas, ações voltadas à educação digital, por meio de palestras e atividades práticas, com apoio de especialistas em tecnologia e psicologia, a fim de promover o uso consciente dos aparelhos eletrônicos entre os jovens. Além disso, a mídia deve veicular campanhas de conscientização que incentivem hábitos saudáveis e offline, como leitura e esportes, para que a população equilibre o uso da tecnologia e reduza a dependência digital.