Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

“O progresso é a realização das utopias”, afirmou Oscar Wilde ao defender os avanços da humanidade. Contudo, na sociedade contemporânea, a utopia tecnológica parece estar se tornando um vício. No Brasil, a crescente dependência das máquinas, especialmente de dispositivos conectados à internet, levanta preocupações sobre os impactos sociais, comportamentais e cognitivos desse fenômeno. Entre os principais desafios estão a ausência de limites no uso de tecnologia e a negligência educacional quanto ao consumo digital consciente.

Em primeiro lugar, o uso excessivo de tecnologia compromete relações sociais, produtividade e saúde mental. Segundo pesquisa da TIC Domicílios, mais de 90% dos brasileiros acessam a internet diariamente, sendo que adolescentes passam, em média, seis horas por dia conectados. Essa exposição prolongada pode causar ansiedade, insônia e dificuldade de concentração, além de afastar os indivíduos do convívio familiar e de atividades presenciais. Assim, o que antes era um instrumento de praticidade passa a exercer controle sobre rotinas e emoções.

Além disso, o ambiente escolar falha em educar para o uso equilibrado da tecnologia. Muitas escolas ainda encaram celulares e redes sociais apenas como obstáculos à atenção dos alunos, sem desenvolver estratégias pedagógicas voltadas ao letramento digital e ao autocontrole. Com isso, jovens aprendem a consumir tecnologia desde cedo, mas não a refletir criticamente sobre seus hábitos. A ausência dessa formação favorece comportamentos compulsivos e dependência digital, dificultando a autonomia e o senso de responsabilidade no ambiente virtual.

Diante disso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover um programa nacional de educação digital nas escolas. A iniciativa deve incluir oficinas interativas sobre equilíbrio tecnológico, com apoio de psicólogos e educadores, além de campanhas informativas direcionadas a pais e alunos. Esse programa pode ser implementado com o uso de plataformas gamificadas e atividades extracurriculares, que estimulem o uso consciente da tecnologia. Desse modo, será possível prevenir a dependência digital, promover o bem-estar e formar cidadãos mais críticos e equilibrados no mundo virtual.