Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
Tudo aquilo de que o ser humano se torna dependente, o escraviza. A citação do filósofo estoico Sêneca ilustra com clareza o cenário atual, em que a tecnologia, antes ferramenta de progresso, passa a dominar hábitos, comportamentos e relações humanas. Nesse contexto, o vício em dispositivos eletrônicos tem gerado impactos preocupantes, tanto no aspecto social quanto no cognitivo. Diante disso, torna-se essencial discutir, primeiramente, os prejuízos à convivência interpessoal e, em seguida, os efeitos sobre a capacidade de raciocínio e aprendizado.
Em primeiro plano, observa-se que a dependência das máquinas tem causado um afastamento entre as pessoas. Segundo dados do IBGE (2021), cerca de 84% dos brasileiros têm acesso à internet, e muitos afirmam passar mais de 5 horas por dia conectados. Essa imersão constante no ambiente digital reduz o tempo dedicado à convivência familiar, à escuta ativa e ao contato com o outro, gerando uma sociedade cada vez mais isolada. Com isso, vínculos afetivos se fragilizam e transtornos como a ansiedade e a depressão se tornam mais frequentes.
Ademais, o uso excessivo da tecnologia compromete a concentração e o desenvolvimento intelectual. Ainda conforme o IBGE, quase 40% dos estudantes entre 15 e 29 anos afirmam ter dificuldades de foco devido ao tempo que passam nas redes sociais. Isso demonstra que, embora a internet ofereça vasto conteúdo informativo, o consumo descontrolado de estímulos curtos e superficiais prejudica a capacidade de aprofundamento e reflexão crítica, essenciais para o crescimento pessoal e profissional.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação promova campanhas educativas nas escolas públicas e privadas, por meio de palestras interativas e materiais didáticos, com o intuito de conscientizar crianças e adolescentes sobre os riscos da dependência digital. Tal medida deve incluir a participação de profissionais da saúde e da pedagogia, que orientem estudantes e familiares sobre como equilibrar o uso da tecnologia no cotidiano. Assim, será possível formar cidadãos mais conscientes, autônomos e livres da submissão às máquinas.