Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Na obra ‘‘1984’’, de George Orwell, é retratada uma sociedade dominada por um regime totalitário que utiliza a tecnologia como instrumento de controle e vigilância, simbolizando os riscos da alienação humana diante do avanço técnico. Fora da ficção, a realidade contemporânea também se vê imersa em uma crescente dependência de dispositivos digitais, o que acende o alerta sobre um possível vício tecnológico. Nesse sentido, o uso indiscriminado da tecnologia tem promovido não apenas a substituição de relações humanas por interações artificiais, como também a perda gradual da autonomia individual frente às máquinas. Dessa forma, é imprescindível analisar os impactos dessa dependência para a construção de uma sociedade equilibrada.

O vício em tecnologia compromete as relações interpessoais. Como aponta o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos tempos de ‘‘relacões líquidas’’, nas quais os vínculos se tornam frágeis devido à predominância da comunicação virtual. Aplicativos e redes sociais, ao estimularem o uso contínuo, reduzem o contato presencial e dificultam o desenvolvimento de habilidades socioemonociais. Esse uso compulsivo afeta a saúde mental e evidencia uma crescente dependência comportamental.

Além disso, a automação crescente ameaça a autonomia humana. Segundo Yuval Noah Harari, o ‘‘dataísmo’’ valoriza decisões tomadas por algoritmos. Isso reflete em assistentes virtuais que moldam escolhas pessoais, o que pode gerar alienação e enfraquecer a capacidade crítica.

Portanto, o governo, junto às escolas, deve promover educação digital com debates sobre o uso consciente da tecnologia. Já as plataformas devem adotar alertas e limites de tempo. Com isso, evita-se a dependência e fortalece-se uma relação saudável com as máquinas.