Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 15/05/2025

Em 2015, a Organização das Nações Unidas estabeleceu um dos compromissos globais mais importantes da atualidade: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, composta por 17 objetivos, entre eles o compromisso com Saúde e Bem-Estar. Todavia, o vício em tecnologia acarreta diversos problemas de saúde mental, físicos e emocionais, que impede que grande parte da população vivencie essa meta estabelecida pela ONU. Sendo assim, cabe analisar a influência do fácil acesso a dispositivos digitais e a ausência de limites no uso da tecnologia como os propulsores dessa problemática.

Nesse contexto, a omissão da sociedade é um problema a ser combatido. Conforme o conceito de “silenciamento social”, desenvolvido por Martha Medeiros, evita-se debater temas delicados para manter a estabilidade coletiva. Sobre isso, percebe-se que a questão vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas? é negligenciada para que não seja preciso lidar com as consequências, como o aumento de transtornos mentais entre jovens e a consequente perda de vínculos sociais no cotidiano. Logo, o silêncio social perpetua a desinformação e dificulta a cobrança por mudanças efetivas.

Ademais, observa-se que a lacuna no sistema de educação potencializa essa conjuntura. Segundo Paulo Freire, educador brasileiro, a educação é um instrumento de desenvolvimento da consciência crítica que favorece o protagonismo da população. Porém, tal papel tem sido falho na formação digital consciente da populaçao, já que muitas escolas não orientam de forma adequada sobre os limites e riscos do uso excessivo da tecnologia, especialmente entre jovens. Um exemplo dessa realidade ocorreu em 2023, quando uma pesquisa da fundação Oswaldo Cruz, divulgada em 2023, apontou um aumento significativo nos casos de ansiedade e depressão entre adolescentes com alto tempo de exposição a telas. Assim, a negligência histórica com a educação reforça a desinformação e a naturalização do uso abusivo de dispositivos digitais, contrariando o ideal de Paulo Freire.