Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Segundo a filósofa Hannah Arendt, a essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos, o que inclui o acesso à dignidade e à liberdade. Contudo, esse princípio encontra-se comprometido na sociedade brasileira atual, visto que a crescente dependência das tecnologias digitais prejudica relações sociais e a autonomia individual. Dessa forma, a omissão governamental e a banalização do debate público são os principais fatores que contribuem para esse cenário, dificultando o ideal de humanidade defendido por Arendt.

Sob esse viés, constata-se a ineficácia do Estado diante do problema. São escassas as políticas públicas que orientem o uso consciente da tecnologia, como campanhas educativas, investimentos em saúde mental digital e regulação do acesso infantil a dispositivos eletrônicos. Essa negligência perpetua a alienação digital, sobretudo entre jovens, que substituem atividades presenciais por interações virtuais, afetando sua saúde e desenvolvimento.

Além disso, a ausência de diálogo sobre o tema agrava a situação. Para o filósofo Jürgen Habermas, o debate é essencial ao progresso social. No entanto, percebe-se que escolas, famílias e a mídia não promovem reflexões críticas sobre os impactos do uso excessivo da tecnologia. Isso gera indivíduos pouco empáticos e sem pensamento crítico, que naturalizam a dependência digital, alimentando o problema.

Portanto, é necessário que o Congresso Nacional elabore leis que promovam o uso saudável da tecnologia, por meio de consultas com especialistas em educação, psicologia e saúde. Paralelamente, a mídia deve incentivar o debate crítico sobre o tema, contribuindo para uma sociedade mais consciente. Assim, será possível combater o vício tecnológico e garantir o pleno exercício dos direitos humanos no Brasil.