Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2025
Cidadania — uma palavra usada com frequência, mas pouco compreendida — significa, essencialmente, o direito de viver com dignidade. No Brasil, esse direito é violado diante do vício em tecnologia, pois o uso excessivo de dispositivos digitais afeta a saúde mental, a autonomia e o convívio social dos cidadãos. Tal problema ocorre tanto em grandes centros urbanos quanto em regiões interioranas, exigindo um debate conjunto entre Estado e sociedade.
Sob essa óptica, cabe salientar que a influência dos aspectos socioculturais corrobora diretamente para a consolidação desse comportamento compulsivo diante das telas. Nessa lógica, pode-se citar o sociólogo francês Émile Durkheim, que afirma que o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela. De fato, a ação do indivíduo referente ao uso excessivo da tecnologia resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que a sociedade contemporânea enaltece a produtividade, a conectividade e o consumo digital como sinônimos de sucesso, gerando uma normalização da hiperexposição às redes e uma dependência psicológica institucionalizada. Assim, urge que a base sociocultural seja revista para que o comportamento do indivíduo contemporâneo mude.
Além disso, é importante destacar que o vício em tecnologia contraria os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela ONU. Esses 17 objetivos buscam o equilíbrio entre os pilares social, econômico e ambiental, considerando a interligação entre eles. No caso do ODS 3, que visa assegurar vida saudável e promover o bem-estar para todos, esse objetivo é comprometido, pois a dependência digital prejudica a saúde mental, diminui a qualidade de vida e aumenta o isolamento social, principalmente entre jovens, dificultando o alcance da meta. Assim, essa problemática precisa ser urgentemente enfrentada.
Torna-se evidente, portanto, uma intervenção pontual para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da mídia — grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião — discutir sobre a questão do vício em tecnologia, por meio de documentários e reportagens, como os do programa Globo Repórter. Essa ação visa reduzir a naturalização do uso excessivo e estimular uma cultura de equilíbrio digital. Só assim, o país tornar-se-á mais justo e democrático.