Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Com a consolidação da chamada Quarta Revolução Industrial, a tecnologia passou a ocupar espaço central nas dinâmicas sociais, econômicas e pessoais. Contudo, o uso excessivo de dispositivos digitais tem despertado preocupações quanto à possível dependência humana das máquinas, especialmente no que tange à saúde mental, à autonomia e às relações interpessoais. Nesse contexto, refletir sobre os impactos do vício tecnológico se faz essencial para entender se caminhamos rumo à total submissão às máquinas ou se ainda há tempo para restabelecer o equilíbrio.

Inicialmente, é importante reconhecer que o avanço tecnológico trouxe inegáveis benefícios à humanidade, como o acesso à informação e à automação de processos. No entanto, segundo o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, na obra A Sociedade do Cansaço, a hiperconectividade contemporânea tem conduzido o indivíduo a um estado de exaustão e isolamento. O vício em tecnologia, muitas vezes confundido com produtividade ou lazer, mascara um quadro de dependência que afeta sobretudo os jovens, tornando-os menos críticos, mais ansiosos e desconectados da realidade física. Esse fenômeno evidencia que o uso desmedido da tecnologia não apenas afeta a saúde mental, como também compromete a capacidade de autonomia do sujeito diante das máquinas.

Ademais, há um crescente apagamento das experiências humanas em prol da mediação digital. A série “Black Mirror”, por exemplo, satiriza esse cenário ao apresentar sociedades futuristas nas quais a tecnologia dita comportamentos, emoções e até vínculos sociais. Apesar de fictícia, a série aponta para uma tendência real: o uso de algoritmos para moldar preferências e decisões pessoais. Essa influência reduz o protagonismo humano, transferindo-o para sistemas automatizados que operam com base em dados e padrões de comportamento. Assim, o vício em tecnologia deixa de ser apenas um problema individual para se tornar um entrave coletivo à liberdade e à criticidade.

Para combater o vício em tecnologia, é preciso promover o uso consciente das ferramentas digitais. Para isso, o Ministério da Educação deve implementar programas de educação digital nas escolas, enquanto a sociedade civil pode incentivar espaços de convivência presencial e debates sobre o tema.