Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
O líder sul-africano Nelson Mandela afirmou que “depois de escalar uma grande montanha, só se percebe que há muitas outras a escalar”, destacando que o pro-gresso social é um processo contínuo, repleto de desafios sucessivos. Sob essa óti-ca, a questão do vício em tecnologia insere-se em um cenário preocupante no Bra-sil, pois, apesar de avanços no acesso à informação, ainda persistem obstáculos que dificultam mudanças estruturais no uso consciente desses recursos. Então, é possível dizer que essa problemática decorre, principalmente, da falta de educação digital e da negligência com a saúde mental, exigindo ações integradas e efetivas.
Nesse viés, é essencial destacar que a ausência de uma educação digital crítica atua como fator determinante para a perpetuação do problema. Sob essa perspec-tiva, segundo pesquisa da Common Sense Media, crianças e adolescentes passam, em média, mais de 7 horas por dia em frente às telas. Tal excesso de exposição, sem a devida orientação, contribui para a perda de produtividade e dificuldades es-colares. Assim, observa-se que a estrutura social vigente ainda carece de medidas eficazes.
Além disso, a negligência com a saúde mental, somada ao uso excessivo da tec-nologia, agrava o cenário atual. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil lidera em casos de ansiedade, e muitos buscam nas redes sociais e jogos um alívio emocional, o que é intensificado por quadros como a nomofobia. Como aler-tou Mandela, os avanços tecnológicos não devem obscurecer os desafios emergen-tes, como o enfraquecimento das conexões humanas, que aprofunda desigualda-des sociais e emocionais.
Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio de políticas públicas de saúde e educação, implemente programas de alfabetização digital e suporte psicológico nas escolas, com o objetivo de promover o uso consciente da tecnologia desde a infância. Além disso, a escola e a mídia devem atuar na formação de uma consci-ência crítica e empática, promovendo o debate sobre o uso equilibrado das tecno-logias e incentivando atitudes transformadoras no ambiente familiar e social. Des-sa maneira, será possível enfrentar as “outras montanhas” apontadas por Mandela e promover uma sociedade mais saudável e consciente do uso tecnológico.