Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

Vivemos numa época em que as máquinas nos servem tão bem, que esquecemos de viver sem elas”. Essa adaptação de um pensamento contemporâneo resume o paradoxo enfrentado pela sociedade atual, ao mesmo tempo em que a tecnologia trouxe avanços e facilidades inegáveis, também provocou uma crescente dependência que impacta relações sociais, saúde mental e produtividade. Diante desse cenário, é necessário refletir sobre o vício em tecnologia e os riscos de sermos cada vez mais dominados por ela.

Em primeiro lugar, o uso constante de aparelhos eletrônicos, como smartphones e computadores, modificou o modo como nos relacionamos. Muitas interações que antes ocorriam presencialmente hoje se restringem a mensagens e redes sociais, o que pode causar um isolamento silencioso. A socióloga Sherry Turkle, no livro “Alone Together”, defende que estamos cada vez mais conectados, mas menos presentes uns com os outros, o que evidencia como a tecnologia, quando usada sem equilíbrio, pode enfraquecer vínculos afetivos.

Além disso, o vício em tecnologia também afeta a saúde mental. A exposição prolongada às telas está associada a transtornos como ansiedade, insônia e déficit de atenção, especialmente entre jovens. Aplicativos são projetados para prender o usuário pelo maior tempo possível, com notificações constantes e recompensas visuais que estimulam o cérebro. Essa lógica de funcionamento, semelhante à dos cassinos, transforma o consumo digital em um ciclo difícil de interromper.

Portanto, o vício em tecnologia é um desafio urgente e multifacetado. Cabe à sociedade, por meio da educação, da informação e da reflexão crítica, assumir o controle sobre o uso das máquinas, antes que elas passem a controlar nossa rotina e até mesmo nossa identidade. A solução está não no afastamento da tecnologia, mas na forma como decidimos usá-la: como ferramenta, e não como dependência.