Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
No romance Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é retratada uma sociedade futurista em que os indivíduos são condicionados a aceitar passivamente uma realidade controlada por tecnologias, perdendo sua autonomia e senso crítico. Fora da ficção, o cenário atual também evidencia uma crescente dependência de máquinas, especialmente no uso desenfreado de smartphones, redes sociais e inteligência artificial. Nesse contexto, o vício em tecnologia se torna um problema social relevante, pois compromete tanto a saúde mental quanto a capacidade de escolha dos indivíduos, exigindo ações urgentes para mitigar seus impactos.
Em primeiro lugar, é necessário compreender como o uso excessivo da tecnologia afeta o bem-estar psicológico. A Organização Mundial da Saúde já classifica o vício em jogos eletrônicos como um transtorno, o que evidencia os riscos que a dependência digital pode trazer. Além disso, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, na obra A Sociedade do Cansaço, argumenta que o excesso de conectividade leva ao esgotamento mental e ao enfraquecimento das relações humanas. Nesse sentido, nota-se que a imersão constante em dispositivos contribui para o isolamento social e para o aumento de casos de ansiedade e depressão.
Ademais, o abuso de tecnologias compromete a autonomia do pensamento e da ação. Com o auxílio de algoritmos que moldam preferências de consumo e opiniões, há uma perda gradativa da capacidade crítica. O sociólogo Zygmunt Bauman já alertava que, na modernidade líquida, relações e decisões se tornam cada vez mais mediadas pela tecnologia, o que limita a liberdade individual. Quando se entrega à máquina o papel de decidir, escolher caminhos e filtrar informações, o ser humano corre o risco de se tornar passivo à própria vida.