Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Promulgada em 1988, a Constituição Federal (CF) vigente assegura direitos fundamentais para a democracia e vida digna de seus cidadãos. Porém, o vício em tecnologia e suas consequências, como o isolamento social e a perda da autonomia humana, interferem no sistema harmônico do Estado brasileiro. Dessa forma, para mediar a conjuntura, é imprescindível enunciar os pilares da adversidade: o fator social e a ineficácia governamental.

Diante desse cenário, é preciso explorar o quesito sociocultural e as suas implicações na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob tal perspectiva, no Brasil, a passividade na reflexão crítica do brasileiro sobre o uso excessivo da tecnologia destoa do progresso bourdieuseano e, com efeito, forma cidadãos sem interesse em resolver a matriz do imbróglio. Consequentemente, essa ausência de autocritica funciona como base para a intensificação da dependência de máquinas e dispositivos digitais, fato que viola, novamente, a CF, ao comprometer o direito à saúde mental e à convivência social.

Ademais, convém destacar as falhas estatais. A esse respeito, John Rawls, na teoria do Pacto Social, enfatizou o Estado como mantenedor do bem-estar coletivo. Contudo, os impactos do vício tecnológico contrastam com a inoperância das esferas de poder no que tange à mitigação do viés. A ausência de políticas públicas eficazes de orientação digital, bem como a carência de campanhas educativas sobre o uso saudável da tecnologia, perpetuam a dependência e desinformação, principalmente entre os jovens. Tal omissão governamental agrava o desequilíbrio entre o avanço das inovações e a maturidade da sociedade em lidar com elas.

Portanto, entende-se que o vício em tecnologia é um obstáculo intrínseco de raízes culturais e governamentais. Logo, o Ministério das Comunicações, por intermédio da coparticipação de programas midiáticos de alta audiência, deve discutir e elucidar o assunto, com o objetivo de mostrar as principais sequelas do problema. De forma detalhada, esse órgão vai convidar psicólogos especializados em comportamento digital para apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse discutido.