Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”, afirmou Arthur C. Clarke, escritor e futurista. A frase, dita com admiração pela capacidade transformadora da ciência, também serve como alerta para o fascínio excessivo que temos pelos dispositivos tecnológicos. Nos últimos anos, o uso massivo de celulares, redes sociais e inteligência artificial tem provocado uma crescente dependência, especialmente em jovens, levando questionamentos: estaremos nos tornando escravos das máquinas que criamos?

Segundo dados da Global Web Index, o brasileiro passa, em média, mais de 9 horas por dia conectado à internet, sendo uma das maiores populações conectadas do mundo. A psicóloga Camila Cury alerta que o uso excessivo da tecnologia afeta diretamente a saúde mental, podendo provocar ansiedade, depressão e déficit de atenção. Ainda o vício em redes sociais ativa áreas do cérebro semelhante às estimuladas por drogas, segundo estudos da Universidade de Havard. Isso mostra que a dependência digital não é apenas um comportamento social, mas também um fenômeno neuropsicólogico.

Por outro lado, a dependência tecnológica pode ser analisada sob a perspectiva da comodidade. Muitas das funções essenciais do dia a dia como trabalho, educação, lazer e até mesmo relacionamentos, foram transferidas para o ambiente virtual. O filósofo sul-coreano Byung Chul Han afirma que vivemos numa " sociedade do cansaço" em que a hiperconectivade exige produtividade constante, mas esgota o indivíduo. Assim, mais do que vício, o uso contínuo das máquinas pode ser o reflexo de uma exigência do sistema atual, onde estar off-line parece significar estar excluído.

Para combater esse cenário, é papel do Estado implementizar políticas públicas de conscientização nas escolas, promover campanhas de saúde mental voltadas ao uso saudável das tecnologias e investir na regulação de plataformas que utilizam algoritmos viciantes. Somente assim será possível equilibrar os avanços tecnológicos com o bem-estar humano.