Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Em uma de suas citações a socióloga Simone de Beauvoir afirma: “o mais escanda-loso dos escândalos é que nos acostumamos a eles”. Infelizmente tal narrativa não destoa-se da realidade brasileira, em que, embora dispositivos como smartphones, computadores e assistentes virtuais tenham se tornado comuns no cotidiano, ain-da banaliza-se os desafios que cercam tal proximidade tecnológica, como a depen-dência dos dispositivos e, consequentemente, o distanciamento familiar, o que apenas agrava seus efeitos.

Do ponto de vista clínico, a dependência tecnológica já é reconhecida como uma condição real. Transtornos como depressão, ansiedade social e déficit de atenção são frequentemente associados ao uso compulsivo da internet. Um exemplo claro é a nomofobia, caracterizada pelo medo intenso de ficar sem o celular. Jovens que vivem conectados manifestam sintomas como irritabilidade, insônia e isolamento, revelando que a tecnologia, quando usada de forma desequilibrada, deixa de ser uma aliada e passa a prejudicar a qualidade de vida. A exposição prolongada a redes sociais, compromete os vínculos afetivos e atividades básicas do cotidiano.

Entretanto, é importante destacar que a tecnologia, em si, não é a vilã. Seus bene-fícios são inúmeros: ela facilita o acesso à informação, potencializa a comunicação e contribui para avanços tecnológicos. Inclusive, plataformas digitais têm incentivado a leitura entre os jovens, o que a torna mais atrativa para que os jovens a utilize de maneira eficiente. Isso revela que o verdadeiro obstáculo não reside na presença da tecnologia em si, mas na maneira desequilibrada como ela é utilizada. Assim, deve-se estabelecer uma relação mais consciente.

Nesse contexto, é indispensável reconhecer os impactos da dependência tecno-lógica e agir de maneira assertiva. O poder público pode promover campanhas de conscientização sobre o uso equilibrado da tecnologia, enquanto escolas e famílias devem incentivar o diálogo e a reflexão crítica sobre os hábitos digitais. Afinal, enc-arar o problema com responsabilidade