Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Na obra A Era do Vazio, o sociólogo francês Lipovetsky aponta que a modernidade líquida leva os indivíduos a um narcisismo digital e à busca constante por prazer imediato. Na atualidade, o vício em dispositivos digitais, especialmente celulares e redes sociais, tornou-se um fenômeno global que atinge desde crianças até idosos, afetando a saúde mental, os vínculos afetivos e o desempenho profissional. Nesse sentido, é necessário analisar como a carência de vínculos reais e o estímulo comercial das big techs contribuem para essa dependência.

Primeiramente, a solidão nas grandes cidades e a fragmentação das relações familiares e comunitárias levam muitos indivíduos a encontrarem refúgio nas telas. A filósofa Hannah Arendt, ao discutir a condição humana, defende que a ação e a interação com os outros são essenciais para a construção de sentido na vida. Entretanto, ao substituir a convivência presencial por interações virtuais superficiais, o ser humano perde sua dimensão política e relacional, mergulhando num ciclo de isolamento.

Além disso, o vício tecnológico é alimentado por empresas que lucram com a atenção contínua do usuário. Nesse viés, o filósofo Noam Chomsky afirma que, as corporações moldam as escolhas das pessoas sem que elas percebam. Plataformas como TikTok e Instagram são estruturadas para gerar consumo compulsivo, utilizando mecanismos como o scroll infinito e a inteligência artificial para personalizar conteúdos e prender o usuário por horas. Assim, sem regulação adequada, os interesses econômicos dessas empresas se sobrepõem ao bem-estar coletivo.

Dessa forma, para enfrentar o vício em tecnologia, é fundamental que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em colaboração com o Ministério da Saúde, desenvolva uma campanha nacional de conscientização sobre os riscos do uso excessivo de tecnologias. Por meio da veiculação nas próprias redes sociais, na TV aberta e em escolas, com conteúdos educativos, depoimentos de especialistas e dicas práticas para reduzir o tempo de tela. O objetivo dessa ação é informar a população sobre os impactos da dependência digital e incentivar o uso equilibrado da tecnologia, promovendo o bem-estar individual e coletivo.