Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
No filme Her (2013), dirigido por Spike Jonze, o protagonista desenvolve uma relação afetiva com um sistema operacional inteligente, refletindo a crescente dependência emocional e funcional da sociedade moderna em relação à tecnologia. Embora seja uma obra de ficção, o enredo ilustra uma realidade contemporânea: o vício tecnológico. No Brasil, esse fenômeno afeta negativamente a sociedade. Nesse contexto, é urgente compreender as causas desse comportamento compulsivo.
Em primeiro lugar, o vício em tecnologia é impulsionado pela lógica do capitalismo digital, que transforma a atenção humana em produto. O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço, argumenta que o excesso de estímulos e a hiperconectividade conduzem o indivíduo a um estado de exaustão psíquica, tornando-o refém de notificações e algoritmos. A lógica das redes sociais, por exemplo, é construída para maximizar o tempo de uso por meio de reforços positivos constantes, como curtidas e comentários, ativando circuitos de dopamina no cérebro. Assim, a tecnologia, que deveria servir como meio de comunicação e produtividade, passa a moldar o comportamento de forma viciante e prejudicial.
Ademais, a normalização desse vício entre jovens, é agravada pela lacuna educacional na alfabetização digital crítica. Conforme Jean Baudrillard teorizou em Simulacros e Simulação, vivemos em uma sociedade onde o real é substituído por representações midiáticas, levando o indivíduo a confundir a experiência virtual com a realidade. Tal cenário revela a insuficiência do ambiente escolar em preparar os alunos para uma vivência consciente e responsável no ambiente digital.
Portanto, para mitigar os efeitos do vício em tecnologia, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com especialistas em saúde mental e tecnologia, implemente programas de alfabetização digital nas escolas públicas e privadas. A ação deve ocorrer por meio de oficinas e atividades interativas mensais, que abordem o uso consciente de dispositivos eletrônicos, os impactos do tempo de tela na saúde e estratégias de desconexão. O objetivo é formar cidadãos críticos e capazes de estabelecer limites saudáveis com a tecnologia, promovendo uma cultura de equilíbrio entre o mundo digital e o real.