Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
Em sua obra 1984, George Orwell descreve uma sociedade onde o controle se dá por meio da vigilância constante e da manipulação da informação. No Brasil, o vício em tecnologia é uma realidade crescente que compromete a autonomia do sujeito e afeta sua capacidade de concentração, suas relações interpessoais e sua saúde mental. Nesse cenário, é necessário compreender como a sensação de liberdade proporcionada pelos meios digitais mascara uma nova forma de aprisionamento psicológico.
A primeira questão a considerar é o falso senso de liberdade promovido pelas redes sociais. Embora pareçam oferecer autonomia, essas plataformas são regidas por algoritmos que manipulam preferências e reforçam bolhas informativas. Segundo Zygmunt Bauman, na obra Vida Líquida, a liberdade moderna é fluida e facilmente confundida com consumismo. Nesse contexto, o indivíduo torna-se refém da conectividade e perde o senso crítico e a vivência do presente.
Em segundo lugar, a negligência do Estado em oferecer educação digital desde a infância contribui para a consolidação da tecnodependência. Em vez de promover o desenvolvimento do pensamento autônomo, o sistema educacional ainda se baseia em métodos tradicionais e ignora a urgência de preparar os alunos para lidar com os impactos da vida digital. A ausência de uma formação ética e crítica acerca da tecnologia deixa os jovens vulneráveis à superexposição, ao cyberbullying e à fuga da realidade. Como já alertava Paulo Freire, “a educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas, e as pessoas transformam o mundo”.
Diante disso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com universidades e ONGs especializadas em inclusão digital, crie o programa “Conexão Consciente”, que deve ser implementado nas escolas públicas e privadas do país, com cursos extracurriculares quinzenais para alunos do ensino fundamental e médio, com foco em educação digital, combate à desinformação, e estratégias de saúde mental digital. A finalidade é formar uma geração consciente sobre os riscos do uso excessivo de tecnologia, capaz de se apropriar das ferramentas digitais sem se tornar refém delas.