Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2025
De modo ficcional, o filme “Wall-e” apresenta uma realidade em que os seres humanos passaram a viver numa estação espacial sob o cuidado de robôs, se tornando completamente dependentes deles. Esse cenário, porém, não se encontra tão distante da realidade, visto que a humanidade necessita cada vez mais da tecnologia para realizar tarefas, levantando questões sérias sobre o vício e dependência criados pelas máquinas. Nesse sentido, é necessário refletir sobre as principais causas desse impasse: A apatia social e a influência da mídia.
Inicialmente, é válido ressaltar que a indiferença da sociedade agrava essa problemática. Nesse sentido, segundo o escritor português José Saramago, a humanidade é composta por uma metade de ruindade e outra de indiferença. Essa ideia se reflete no cotidiano, uma vez que muitas pessoas, mesmo cientes dos riscos, se subordinam aos aparelhos eletrônicos, enquanto empresas buscam torná-las cada vez mais dependentes em prol do lucro, logo o assunto não é tratado com a devida importância. Assim, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a representar uma forma de prisão.
Além disso, é necessário entender como o impacto da mídia também influencia no vício em tecnologia e dependência das máquinas. Sobre isso, conforme o filósofo francês Guy Debord, na “sociedade do espetáculo”, a realidade é substituída por representações mediadas por imagens, criando uma cultura da passividade. Isso se evidencia na maneira como redes sociais, plataformas de streaming e algoritmos personalizados capturam a atenção dos usuários, moldando comportamentos e prioridades. Dessa forma, a mídia contribui para o aprofundamento da alienação social, tornando cada vez mais difícil a desconexão do mundo virtual.
Portanto, a dependência das máquinas é fruto da apatia social e da forte influência da mídia. Para enfrentar esse cenário, o Estado deve promover campanhas educativas, por meio das escolas e da mídia pública, que conscientizem sobre o uso equilibrado da tecnologia. Além disso, é papel das instituições de ensino incentivar o pensamento crítico desde cedo. Com isso, será possível garantir que os avanços tecnológicos sirvam ao bem-estar humano — e não à sua submissão, como visto em “Wall-E”.