Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 13/05/2025

Com o avanço acelerado das tecnologias digitais, o cotidiano humano tornou-se cada vez mais mediado por dispositivos eletrônicos. Nesse contexto, cresce a preocupação com a dependência tecnológica, que ultrapassa a conveniência e adentra o campo do vício comportamental. Tal cenário evoca a distopia retratada por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo, onde o controle social se dá por meio do prazer e da distração. À luz disso, é urgente refletir sobre os impactos da dependência tecnológica na saúde mental e na autonomia dos indivíduos.

O uso excessivo de redes sociais, por exemplo, ativa mecanismos de recompensa cerebral semelhantes aos do vício em drogas, conforme apontado por estudos da neurociência. Isso tem gerado ansiedade, depressão e isolamento social, sobretudo entre jovens. O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han alerta, em A Sociedade do Cansaço, que a hiperconectividade nos leva à exaustão mental, afetando o bem-estar individual.

Além disso, algoritmos moldam hábitos, opiniões e desejos, reduzindo nossa capacidade crítica. Isso remete ao conceito de heteronomia discutido por Kant — quando a vontade humana é guiada por forças externas. A inteligência artificial e os sistemas de automação, se mal utilizados, podem agravar essa alienação.

Portanto, é necessário agir. O Ministério da Educação, em parceria com escolas, deve implementar programas de educação digital crítica, que ensinem o uso consciente da tecnologia. Campanhas midiáticas também devem conscientizar sobre os riscos do vício digital. Assim, será possível transformar a relação com as máquinas em algo saudável e equilibrado, reafirmando a autonomia humana.