Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2025
Milton Santos, em seu ensaio “Cidadanias Mutiladas”, discorre sobre a imprescindibilidade de um país amparar o próprio círculo social, de modo a promover ações para a resolução de determinadas problemáticas. No entanto, indo de encontro com o ideal de Santos, o Brasil mostra-se indisposto a solucionar, de modo definitivo, a questão do vício em tecnologia. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não só a omissão estatal, mas também o desinteresse coletivo.
Diante disso, é indispensável ressaltar a negligência por parte do governo como principal fator responsável por ocasionar o óbice em destaque. Dessa maneira, assim como mencionado por Thomas Hobbes, nota-se que é dever da nação promover o desenvolvimento do tecido civil, mesmo que, na realidade brasileira, isso não seja visto recorrentemente. Portanto, pode-se perceber um atraso do Estado, que posterga a adoção de medidas com o intuito de combater a dependência de meios tecnológicos, como a adoção de campanhas sobre o uso responsável da tecnologia e a promoção de temas como o “bem-estar digital”.
Além disso, também é necessário evidenciar a indiferença social, visto que, de acordo com Hannah Arendt, a coletividade é incapaz de fazer julgamentos morais, os quais são, por muitas vezes, banalizados. Desse modo, é evidente que a comunidade, em sua maioria, não confere a devida importância às adversidades que atingem, constantemente, o cotidiano da população. Pensando nisso, pode-se constatar a necessidade de redefinir, como um todo, os pilares do pensamento da sociedade brasileira, de modo a promover a colaboração de todos os indivíduos.
Dessa forma, para pôr fim aos debates relacionados à questão do vício em tecnologia, é essencial adotar medidas específicas. Assim, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Educação, deve estabelecer ações políticas concretas para que o âmbito social seja devidamente aperfeiçoado. Nesse sentido, é possível implementar essas ações por meio de uma política de adaptação completa e eficiente, visando, por exemplo, incentivar a prática de atividades extracurriculares offline que afastem alunos do excesso de telas. Por fim, com essas resoluções, será possível instituir um país mais consciente e justo para todos.