Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Desde 1936, no lançamento do filme “Tempos Modernos”, em que Charles Chaplin satiriza a mecanização do trabalho, o debate sobre a relação entre humanos e máquinas vem ganhando destaque. Análogo a essas questões, o avanço da tecnologia e a crescente dependência de dispositivos digitais para atividades cotidianas representa um grave problema uma vez que é provável que a sociedade esteja tornando-se refém das próprias criações tecnológicas. Portanto, é necessário combater a dependência desses meios e seus impactos nas relações humanas e prejuízos a saúde mental.

Diante desse contexto, a tecnologia tem modificado a maneira como os indivíduos se relacionam e interagem socialmente. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações na modernidade são “líquidas”, ou seja, frágeis e passageiras — característica que se intensifica com o uso excessivo das redes sociais, que substituem o contato físico por interações virtuais. Dessa maneira, essa dinâmica prejudica a construção de vínculos sólidos e favorece o isolamento social, especialmente entre jovens que passam horas conectados. Logo, a depen-dência tecnológica compromete aspectos essenciais da convivência humana.

Ademais, a ausência de limites no uso da tecnologia pode trazer sérias consequências para a saúde mental. Dessa forma, na obra “Sociedade do Cansaço”, escrita pelo filósofo Byung-Chul Han, retrata que a hiperconectividade e a exposição constante à informação levam ao esgotamento emocional e à perda de foco. Desse modo, essa realidade é comprovada por estudos que relacionam o uso excessivo de telas ao aumento de casos de ansiedade e depressão. Assim, percebe-se que a tecnologia, ao invés de facilitar a vida, pode se tornar um fator de adoecimento quando utilizada de forma descontrolada.

É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater o vício das tecnologias. Nesse sentido, o Ministério da Educação – responsável pela educação do país – deve elaborar novas campanhas educativas e projetos escolares que pro-movam o uso consciente da tecnologia, especialmente entre crianças e adolescen-tes, por meio de novas políticas públicas que resultem na legitimidade estatal. Essa iniciativa terá a finalidade de romper a negligência da temática.