Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 13/05/2025
O escritor Carlos Drummond de Andrade, em seu poema “No meio do Caminho”, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano sofre em sua jornada. Analogamente, esse preceito assemelha-se à luta cotidiana contra o vício em tecnologia, visto que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos interfere negativamente na vida social, emocional e profissional dos indivíduos. Dessa maneira, é evidente que a problemática se desenvolve não só devido à ausência de ações governamentais eficazes, mas também à alienação promovida pelo uso descontrolado da tecnologia no dia a dia.
Diante desse cenário, a falta de atuação do Estado atua como promotora do problema. De acordo com o filósofo Nicolau Maquiavel, no livro O Príncipe, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, no Brasil, observa-se a omissão estatal diante da crescente dependência digital, principalmente entre jovens, sem incentivo à educação midiática nas escolas ou espaços públicos. Isso contribui para o agravamento do vício e de suas consequências sociais e emocionais, como a dificuldade de concentração e a ansiedade.
Ademais, é imperativo ressaltar a alienação digital como agravante da questão. De acordo com dados do IBGE, mais de 80% da população brasileira acessa a internet diariamente. Esse uso excessivo, sem limites ou orientação, gera isolamento social, queda de rendimento escolar e impactos na saúde mental, como estresse e depressão. Tal situação reforça a dependência tecnológica e dificulta sua superação, tornando-se um ciclo vicioso que afeta diferentes faixas etárias e classes sociais.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Com o intuito de mitigar o vício em tecnologia, o Tribunal de Contas da União deve direcionar verbas que, por meio do Ministério da Educação, serão aplicadas em campanhas e programas escolares sobre o uso consciente da tecnologia, com oficinas, palestras educativas e atividades práticas. Desse modo, reduzir-se-á o impacto nocivo da dependência digital e a sociedade alcançará um futuro mais crítico, saudável e equilibrado em relação às máquinas.