Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

Revolução Industrial, no século XVIII, marcou o início de uma era em que máquinas passaram a ampliar as capacidades humanas. Hoje, no século XXI, a tecnologia digital redefine não apenas a produção, mas também as relações sociais, o acesso à informação e a própria identidade humana. Contudo, o uso excessivo de dispositivos digitais levanta uma questão crucial: seremos reféns das máquinas? Embora a tecnologia traga benefícios inegáveis, a dependência patológica revela riscos à saúde mental, à autonomia individual e à coesão social, exigindo reflexão crítica e ações coletivas para evitar que nos tornemos servos de nossas próprias criações.

A popularização de smartphones e redes sociais transformou a tecnologia em extensão do corpo e da mente. Plataformas como Instagram e TikTok, projetadas com algoritmos que exploram mecanismos de recompensa cerebral, geram ciclos viciosos de validação instantânea, liberando dopamina a cada like ou notificação. Conforme aponta o filósofo Byung-Chul Han, na “Sociedade do Cansaço”, a hiperconectividade não nos liberta, mas nos submete a uma autocobrança por produtividade e felicidade permanente. O resultado é o aumento de ansiedade, depressão e déficit de atenção, especialmente entre jovens, como evidenciam estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS). A dependência digital, assim, mina a saúde mental, substituindo interações autênticas por simulacros de conexão.

Além dos efeitos individuais, a dependência tecnológica aprofunda disparidades estruturais. A automação de empregos por inteligência artificial e robótica, embora eficiente, exclui milhões de trabalhadores pouco qualificados, ampliando o desemprego e a concentração de renda. Para o historiador Yuval Harari, em “21 Lições para o Século XXI”, a ascensão de algoritmos pode criar uma “classe inútil” de indivíduos economicamente obsoletos. Paralelamente, a economia de plataformas, como Uber e iFood, precariza relações laborais, reduzindo humanos a meros operadores de máquinas. Nesse cenário, a dependência não é apenas psicológica, mas material: sem políticas de requalificação e regulamentação, a tecnologia aprofunda exclusão.