Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem.” A célebre frase de Karl Marx evidencia como os seres humanos criam estruturas que, com o tempo, passam a condicioná-los. Diante disso, é notório que a tecnologia transformou-se em um elemento de alienação e dependência, revelando o vício em dispositivos eletrônicos e plataformas digitais. Em vista disso, torna-se necessário combater tanto a ausência de educação digital quanto o design manipulativo das plataformas, a fim de amenizar a dependência tecnológica na sociedade contemporânea.

Em primeiro lugar, a falta de preparo crítico contribui para o uso descontrolado da tecnologia. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), jovens entre 9 e 17 anos passam, em média, mais de seis horas por dia conectados à internet, muitas vezes sem qualquer orientação escolar sobre os riscos envolvidos. Essa realidade evidencia a fragilidade da formação educacional diante da era digital. Assim, sem desenvolver senso crítico, os indivíduos tornam-se mais vulneráveis ao vício e à alienação. Logo, é urgente inserir o letramento midiático e o autocontrole tecnológico nas práticas pedagógicas.

Além disso, as plataformas digitais são propositalmente estruturadas para gerar dependência. O documentário O Dilema das Redes (2020) revela que empresas de tecnologia utilizam algoritmos e recursos de design — como notificações e rolagem infinita — para manipular o comportamento do usuário, estimulando um ciclo de dopamina semelhante ao dos vícios químicos. Dessa forma, compreende-se que o vício tecnológico não é uma falha pessoal, mas consequência de um sistema desenhado para prender a atenção.

Portanto, é evidente que a dependência tecnológica decorre tanto da ausência de educação crítica quanto da atuação de plataformas digitais voltadas ao lucro. Para enfrentar esse cenário, é essencial que o Estado implemente políticas públicas que promovam a educação digital nas escolas. Paralelamente, órgãos reguladores devem fiscalizar práticas abusivas das empresas do setor tecnológico. Somente assim será possível conciliar os benefícios da era digital com o bem-estar coletivo.