Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2025
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor idealiza, uma vez que o vício em tecnologia, impulsionado pela dependência excessiva de máquinas, representa uma barreira à concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da lógica capitalista, quanto da alienação causada pela superexposição digital.
Precipuamente, é fulcral pontuar a ótica econômica como promotora do problema. Para Karl Marx, o capitalismo não era sustentável e acabaria por enterrar a si mesmo com o tempo, pois gera seu próprio coveiro. Sob essa ótica, é válido destacar que grandes empresas tecnológicas criam mecanismos de vício digital, como algoritmos e notificações constantes, com o intuito de manter os usuários conectados e, assim, lucrar com anúncios e dados. Tal dinâmica transforma os indivíduos em meros consumidores, cada vez mais dependentes das máquinas para lazer, trabalho e até relações afetivas.
Ademais, ainda, evidencia a influência midiática como um obstáculo à autonomia tecnológica do indivíduo. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para servir como meio de democracia não pode ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, nota-se que a mídia, ao promover a hiperconectividade e normalizar o uso excessivo de dispositivos, contribui para o enfraquecimento das relações humanas e da capacidade de viver o presente sem mediações artificiais.
Portanto, medidas exequíveis são inegáveis. Urge que o Ministério da Educação, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações, desenvolva programas educativos nas escolas que orientem os jovens sobre o uso consciente da tecnologia. Tais ações, com apoio de psicólogos e especialistas em saúde digital, poderão ocorrer por meio de palestras presenciais e campanhas nas redes sociais com influenciadores que abordem o tema de forma crítica. Desse modo, atenua-se, em médio e longo prazo, os impactos do vício tecnológico, aproximando a sociedade da harmonia utópica imaginada por More.