Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Para o pensador inglês John Locke, a propriedade deve ser utilizada de forma racional e sustentável. Nesse contexto, o autor defende que todos os recursos devem ser empregados com moderação. Essa visão entra em conflito direto com o crescente vício em tecnologia no Brasil, o qual tem gerado preocupações devido à sua gravidade. A situação se agrava pela invisibilidade das vítimas e pela omissão familiar, fatores que têm contribuído para o aumento expressivo do uso excessivo de aparelhos eletrônicos.

Sob essa ótica, a série britânica Black Mirror ilustra como a dependência tecnológica desumaniza as relações e afeta o comportamento social. No Brasil, o uso contínuo de celulares, redes sociais e jogos digitais tem afastado as pessoas do convívio presencial e reduzido o senso de empatia. Isso gera indivíduos mais isolados, ansiosos e despreparados para enfrentar situações fora do ambiente digital. Assim, forma-se uma sociedade emocionalmente fragilizada, incapaz de equilibrar tecnologia e vida real.

Nesse sentido, a jornalista Anna Quindlen enfatiza a importância da presença familiar ao afirmar: “Na dúvida, escolha os filhos. Haverá muito tempo depois para escolher o trabalho.” Essa perspectiva evidencia que a dedicação dos pais é essencial para evitar que os filhos se percam no uso excessivo da tecnologia. Quando os adultos priorizam o trabalho em vez do acompanhamento e do diálogo, favorecem o isolamento e a dependência dos aparelhos eletrônicos. Valorizar o convívio familiar é, portanto, um antídoto à fragilidade emocional da era digital.

Diante do exposto, o poder público, as instituições de ensino e as famílias devem implementar programas de mediação digital para prevenir o uso inadequado de aparelhos eletrônicos e resgatar a convivência presencial, por meio de oficinas semanais de educação tecnológica e sessões em espaços comunitários, com acompanhamento de psicólogos e educadores para orientar pais e alunos sobre práticas saudáveis. Retomando John Locke, que defende o uso racional dos recursos, essa iniciativa busca equilibrar o domínio das máquinas e a autonomia humana, garantindo um desenvolvimento emocional mais sólido.