Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
O sociólogo Zygmunt Bauman, ao refletir sobre os aspectos da modernidade líquida, afirma que a sociedade contemporânea é marcada pela fluidez dos vínculos e pela busca constante por satisfação imediata. Nesse cenário, a tecnologia assume um papel central, oferecendo estímulos rápidos e superficiais que favorecem o desenvolvimento de comportamentos viciantes, tanto pelo mecanismos intencionalmente criados por empresas digitais quanto por fatores sociais e emocionais.
Em primeiro lugar, os algoritmos intencionais de design viciante adotados por empresas digitais colaboram para a prolongação do tempo de uso de seus dispositivos e plataformas. Isso porque muitas das redes sociais, jogos e aplicativos usam notificações constantes, rolagem infinita e sistemas de recompensas para prender a atenção do usuário. O que por outro lado, ativa o sistema de dopamina no cérebro, criando uma sensação de prazer instantâneo, semelhante ao que acontece em vícios químicos. Pois, quanto mais tempo o indivíduo permanece conectado, maior o lucro das empresas com anúncios e coleta de dados.
Além disso, a carência de convívio social presencial impulsiona a busca por conexões virtuais, o que contribui para o isolamento e enfraquece os laços afetivos. Em síntese, segundo a pesquisa do Instituto Cactus (2024), 45% dos casos de ansiedade em jovens estão ligados ao uso excessivo das redes sociais. Assim, a dependência tecnológica não apenas surge como consequência da saúde emocional fragilizada, mas também intensifica quadros de ansiedade e depressão, num ciclo vicioso preocupante.
Portanto, diante dos mecanismos que fomentam a dependência tecnológica e dos impactos emocionais que fragilizam os vínculos sociais, é válido questionar: até que ponto a humanidade está se tornando refém das máquinas que deveriam servi-la? Para enfrentar esse problema, o poder público deve promover campanhas escolares e midiáticas de educação digital, em parceria com plataformas digitais, para implementar sistemas de limitação consciente do tempo de tela. Com isso, busca-se reduzir o uso excessivo e estimular hábitos mais saudáveis de interação tecnológica.