Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
No Brasil, o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante como direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer e a convivência familiar e comunitária. Tais prerrogativas visam assegurar o desenvolvimento humano pleno. Contudo, na contemporaneidade, observa-se um crescente desequilíbrio na forma como esses direitos são exercidos, especialmente diante do uso excessivo da tecnologia. Nesse contexto, é fundamental refletir sobre dois aspectos centrais: o vício comportamental relacionado às ferramentas digitais e a crescente automatização da vida cotidiana.
Sob essa perspectiva, é imprescindível abordar o uso excessivo de dispositivos tecnológicos como fator limitante das interações sociais e do desenvolvimento cognitivo. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em uma “modernidade líquida”, marcada por vínculos frágeis e transitórios. Assim, nota-se que o uso compulsivo de redes sociais, jogos virtuais e aplicativos digitais tem provocado o isolamento de muitos indivíduos, principalmente entre os jovens. Tal comportamento configura uma forma de dependência que compromete habilidades interpessoais e reduz a capacidade de concentração, além de afetar negativamente a saúde mental. Dessa forma, o vício em tecnologia se apresenta como uma ameaça à convivência social equilibrada
Ademais, é relevante destacar o papel da automatização e da inteligência artificial como elementos que ampliam a dependência humana das máquinas. De acordo com os filósofos Karl Marx e Friedrich Engels, o avanço das forças produtivas pode levar à alienação do trabalhador. Analogamente, na atualidade, observa-se uma crescente substituição de atividades humanas por sistemas automatizados, o que, embora promova eficiência, reduz a autonomia dos sujeitos em processos decisórios e cotidianos. Isso se reflete não apenas no mercado de trabalho, com o desemprego tecnológico, mas também na maneira como as pessoas se relacionam com a informação, passando a confiar excessivamente em algoritmos e assistentes digitais.