Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 17/05/2025

“Os instrumentos servem ao homem, mas é preciso que o homem não se torne servo dos instrumentos.” A reflexão de Ulysses Guimarães, político e intelectual brasileiro, evidencia um dilema contemporâneo: o crescente vício em tecnologia e a possibilidade de tornarmo-nos reféns das próprias criações. Em uma sociedade cada vez mais conectada, o uso excessivo de dispositivos digitais tem afetado relações interpessoais e a saúde mental. Diante disso, destaca-se a alienação social e os impactos psicológicos como principais consequências dessa dependência.

Em primeiro lugar, o uso descontrolado da tecnologia tem intensificado a alienação social, comprometendo a qualidade das interações humanas. De acordo com dados do IBGE de 2023, 84,3% da população brasileira possui acesso à internet, sendo que grande parte desse uso é destinado às redes sociais. Apesar de conectar virtualmente, esse comportamento tem provocado o isolamento físico e a redução de interações presenciais, especialmente entre jovens. Assim, a busca por conexões digitais tem substituído o convívio real, gerando prejuízos ao senso de coletividade.

Ademais, o vício em tecnologia também tem causado danos à saúde mental dos usuários. Segundo levantamento do IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, cerca de 27% dos adolescentes brasileiros relataram sintomas de ansiedade relacionados ao uso excessivo de dispositivos móveis. A constante exposição a estímulos digitais, somada à comparação social promovida pelas redes, contribui para o aumento de transtornos como depressão e estresse. Isso evidencia a urgência de medidas que promovam o uso consciente da tecnologia.

Portanto, para mitigar os impactos negativos do vício tecnológico, é necessário que o Ministério da Educação implemente programas de alfabetização digital nas escolas públicas e privadas. Tais programas devem ocorrer por meio de palestras, atividades lúdicas e campanhas educativas, com o objetivo de conscientizar os jovens sobre o uso equilibrado das ferramentas digitais. Ao promover a reflexão crítica desde a infância, será possível formar cidadãos mais conscientes e preparados para lidar com os desafios da era tecnológica sem perder sua autonomia.