Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 13/05/2025
Segundo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida caracteriza-se pela fluidez das relações humanas, refletida nas incertezas e instabilidades da vida contemporânea. Nesse cenário, o avanço tecnológico, embora represente conquistas inegáveis, colabora para a consolidação de uma realidade imediatista e, muitas vezes, alienante. A crescente dependência das máquinas, especialmente de dispositivos digitais, evidencia uma problemática urgente.
É inquestionável que a ausência de políticas públicas voltadas à educação digital é uma das causas da intensificação dessa dependência. Segundo o artigo 3º da Constituição Federal, é dever do Estado garantir o bem-estar social e promover o desenvolvimento humano. No entanto, o que se observa é a omissão do poder público diante da banalização do uso excessivo de tecnologias, o que corrobora com dados alarmantes do site do governo , segundo os quais 5% dos jovens apresentam problemas associados ao uso excessivo.
Além disso, fatores socioculturais também contribuem significativamente para a perpetuação do vício tecnológico. Segundo Michel de Montaigne, servir ao público é uma das ocupações mais honrosas. Contudo, observa-se uma inversão dessa lógica na atualidade, em que o tempo produtivo é frequentemente substituído por horas conectadas sem propósito definido. A chamada “nomofobia” – medo de ficar sem o celular – reflete a ansiedade promovida por essa dependência, como demonstra o G1 ao listar sintomas como irritabilidade e depressão.
Combater a liquidez tecnológica e suas consequências demanda, portanto, uma atuação articulada. Nesse sentido, o Ministério da Educação, como agente social, deve implementar projetos pedagógicos que estimulem a educação midiática nas escolas, com oficinas sobre o uso saudável da tecnologia e os riscos do vício digital. Paralelamente, é papel da mídia, enquanto formadora de opinião, criar campanhas que evidenciem os prejuízos da dependência digital, incentivando a desconexão em horários específicos e a valorização de relações presenciais. Com isso, será possível construir uma sociedade mais crítica e fiel aos princípios da Constituição.