Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 16/05/2025
Francis Bacon, filósofo do século XVII, criou o método indutivo, que parte de observações específicas para alcançar conclusões gerais. De forma análoga, o au-mento do uso excessivo de dispositivos eletrônicos no cotidiano brasileiro eviden-cia a crescente dependência das pessoas em relação à tecnologia. Essa problemá-tica precisa ser analisada criticamente, considerando os impactos sociais e psicoló-gicos desse comportamento. Nesse sentido, é necessário refletir sobre o papel do governo e da mídia como fatores centrais na formação e combate ao vício digital.
Em primeiro lugar, a ausência de ações governamentais eficazes contribui para o agravamento da dependência tecnológica. O jornalista Gilberto Dimenstein, em O Cidadão de Papel, aponta que a cidadania no Brasil é, muitas vezes, apenas teórica, uma vez que os direitos garantidos pela Constituição não se concretizam na práti-ca. Isso se aplica à falta de políticas públicas que orientem o uso consciente da tec-nologia, principalmente entre crianças e adolescentes. A carência de campanhas educativas e de regulamentação do tempo de exposição às telas nas escolas, por exemplo, demonstra o despreparo do Estado frente a esse desafio. Assim, torna-se essencial a criação de programas que incentivem o uso equilibrado da tecnologia e a saúde mental da população.
Além disso, a mídia exerce grande influência na manutenção desse vício. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a mídia deveria ser um instrumento de democracia, mas, muitas vezes, reforça padrões nocivos. Atualmente, diversos conteúdos midiá-ticos estimulam o consumo excessivo de aparelhos eletrônicos e redes sociais, sem abrir espaço para debates críticos sobre seus efeitos. A glamourização da hiper co-nectividade e o incentivo ao uso constante de aplicativos, especialmente entre os jovens, alimentam a dependência e dificultam a construção de uma relação saudá-vel com a tecnologia.
Logo, o Ministério das Comunicações deve promover a resoluçãodo problema , em parceria com canais de televisão e redes sociais, campanhas de conscientização sobre os riscos do vício digital. Nesses espaços, advogados podem defender a regu-lamentação do uso excessivo da tecnologia enquanto piscólogos propõe alternati-vas para seu uso conciente,com o objetivo de mistigar os desafios da problemática.