Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?

Enviada em 16/05/2025

Na “sociedade líquida” de Zygmunt Bauman, as relações humanas tornaram-se instáveis e frágeis, e esse cenário é potencializado pela presença constante da tecnologia no cotidiano. De acordo com o Cetic.br, mais de 90% dos lares brasileiros têm acesso à internet, e a maioria dos usuários passa várias horas conectada diariamente. Embora facilite a comunicação e o acesso à informação, esse uso intenso pode gerar dependência, levantando o questionamento: estaremos nos tornando reféns das máquinas?

No entanto, Marshall McLuhan, ao propor o conceito de “aldeia global”, previa um mundo interligado pela tecnologia. No entanto, essa conectividade excessiva tem gerado ansiedade e vício digital. Notificações constantes mantêm os usuários presos a ciclos de estímulos. David Lyon, ao falar do “panopticon digital”, aponta como a exposição contínua transforma pessoas em alvos de vigilância e manipulação, tornando o vício ainda mais difícil de romper.

Destarte, essa lógica de submissão não é nova. Karl Marx já denunciava, no século XIX, a alienação do trabalhador diante das máquinas na Revolução Industrial. Hoje, a alienação assume nova forma: usuários transformados em extensões de seus dispositivos, buscando validação nas redes. A tecnologia, que deveria servir ao ser humano, passa a guiá-lo, limitando sua autonomia e condicionando seus comportamentos.

Em conclusão, para enfrentar essa dependência, é essencial investir em educação midiática, desde cedo, nas escolas, promovendo o uso crítico da tecnologia. Além disso, políticas públicas voltadas à saúde mental devem incluir transtornos relacionados ao uso excessivo de telas. Por fim, é importante fomentar a desconexão consciente, por meio de campanhas e espaços que valorizem experiências fora do ambiente digital. Assim, será possível recuperar o equilíbrio e garantir que a tecnologia continue como aliada, e não como domínio.