Vício em tecnologia: seremos dependentes das máquinas?
Enviada em 17/05/2025
No cenário mundial atual, é perceptível que o avanço da tecnologia trouxe inúmeros benefícios para o desenvolvimento da sociedade. Todavia, o crescimento da tecnologia tem criado uma sociedade cada vez mais dependente e com um quadro preocupante de vício para com a mesma. Com efeito, a resolução do problema torna necessário refletir sobre os impactos desse vício no bem-estar individual e na coesão social.
Inicialmente, é preciso considerar os efeitos nocivos que o uso excessivo da tecnologia pode causar ao indivíduo. Sobre isso, a filósofa Hannah Arendt criou o conceito de “banalização do mal”, onde o surgimento do mal em sociedade surge também da falta de autocrítica e conformismo da própria. Com isso, considerando os impactos negativos gerados pelo escesso de telas além do próprio vício, como a alteração de humor, é evidente o perigo de delegarmos às máquinas funções humanas essenciais, como a interação social e o senso de pertencimento. Assim, a dependência tecnológica pode obscurecer a capacidade de julgamento e enfraquecer a autonomia dos sujeitos.
Ademais, o vício em tecnologia também contribui para a alienação social e para o enfraquecimento dos laços comunitários. O filósofo Zygmunt Bauman, ao abordar a “modernidade líquida”, já alertava sobre a fragilidade das relações humanas em uma era marcada pela instantaneidade e pelo consumismo digital. A substituição de interações presenciais por conexões virtuais, embora pratique, limita a empatia, o diálogo e o senso de pertencimento. Isso demonstra que, sem um uso consciente da tecnologia, há o risco de que a sociedade se torne refém das máquinas, com prejuízos à sua coesão social.
Portanto, para a resolução do problema, é urgente implementar medidas que promovam o uso consciente da tecnologia. O Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, deve desenvolver uma política pública nacional de educação digital saudável, com foco em escolas de ensino básico, abordando temas como limites do tempo de tela, saúde mental e relações interpessoais. Com isso, será possível construir uma sociedade conectada, mas também crítica e equilibrada.