Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 09/09/2019
Entre o século XVIII e XIX a sociedade humana passou por uma série de acontecimentos que mudaram a forma de viver do homem sapiens. Nessa lógica, a revolução industrial, o êxodo rural e criminalização do tráfico negreiro foram decisivos para a modificação da cidade e para o surgimento de novos problemas nesse ambiente. Dessa maneira, ainda sob o efeito dessas revoluções, os países de terceiro mundo têm lidado com dificuldades profundas em incluir todos os grupos sociais na infraestrutura urbana.
De fato, o crescimento urbano desordenado permitiu a intensificação das desigualdades sociais. Historicamente, no contexto da revolução industrial, os países pioneiros desse processo lidaram com um grande e paulatino processo de ocupação urbana. Em países subdesenvolvidos, nesse sentido, a situação migratória foi mais crítica. Isso porque receberam a estrutura industrial completa, a qual permitiu uma implementação mais rápida e grande necessidade de mão de obra em pouco espaço de tempo. Assim, sem o controle do fluxo migratório pelo o Estado, as cidades iniciaram a concentração de riquezas em seus centros em detrimento da periferia, ocupada pelas camadas mais pobres da sociedade.
Nesse contexto, o Brasil é exemplo em segregação do espaço urbano, com destaque à favelização. Sob essa ótica, tal fenômeno, por vezes considerado cartão-postal do país tropical, é reflexo da exclusão social construída ao longo dos séculos. Por essa lógica, a abolição da escravatura em 1889 e a falta de políticas sociais para a inclusão do negro liberto foram decisivas para o início de ocupações irregulares pelo país. Dessa forma, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após anos da promulgação desta lei, atualmente, o país possui cerca de 6% de sua população vivendo em favelas, número superior ao contingente total de pessoas em Portugal.
Portanto, os países em desenvolvimento possuem dificuldades em inclusão socioespacial. Para reverter isso, é necessário que o FMI (Fundo Monetário Internacional), em parceria com a ONU (Organização das Nações Unidas), incentivem a melhora do espaço urbano no terceiro mundo. Para isso, é necessário que o FMI realize empréstimos a esses países para que invistam em infraestrutura. Ademais, a ONU deve pressionar os países mais ricos para que doem dinheiro, principalmente aos Estados mais pobres, como alternativa para a resolução dessa problemática. Por meio desse investimento voltado a estrutura das cidades seria possível diminuir a exclusão social nesses locais e solucionar paulatinamente os efeitos do século XVIII sobre a população.