Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 02/09/2019

Na década de 1950, o Brasil passou pela Revolução Verde, processo de inserção de tecnologias no campo. Dessa forma, muitos camponeses se mudaram para cidade, o que intensificou o crescimento das favelas, visto que os centros urbanos não conseguiam mais abrigar toda a população. Esse cenário ilustra o problema da segregação socioespacial, que persiste devido à especulação imobiliária e à inobservância estatal.

Antes de tudo, é importante destacar que a marginalização de parcela dos brasileiros revela a desigualdade socioeconômica do país. Devido à especulação imobiliária, os imóveis localizados no centro urbano são mais valorizados. Dessa maneira, a população com menor poder aquisitivo tende a viver em bairros afastados, desprovidos de infraestrutura adequada. Esse cenário, acaba implicando problemas de mobilidade, pois para terem acesso aos serviços urbanos essas pessoas precisam usar o transporte público, que nas favelas se mostra precário e insuficiente.

Outrossim, a falta de políticas públicas que atendam a população marginalizada implica riscos na execução da cidadania. Conforme a autora brasileira Maria Carolina, que morou em uma favela em São Paulo, retrata em seu diário ‘‘Quarto de despejo’’, os moradores da periferia carecem de seus direitos assegurados pela Constituição. A falta de saneamento básico, de moradias seguras, de escolas de qualidade e de lazer demonstra não só a inobservância estatal, como também representa a ausência do exercício da cidadania por parte desses brasileiros.

Ficam evidentes, portanto, os impactos da segregação socioespacial no Brasil. Sendo assim, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social reverter o cenário de precariedade das favelas. Isso deve ser feito por meio de projetos urbanos, realizados com investimentos estatais, que instalem pontos de ônibus nos bairros afastados, facilitando a locomoção de quem mora nas periferias. Além disso, o Governo Federal deve conceder incentivos fiscais a empresas de recreação para que estas ofereçam lazer e entretenimento, a preços mais baixos, à população marginalizada.