Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 29/03/2020

Após a entrada de Pereira Passos na gestão do Rio de Janeiro, a metrópole recebeu, no início do século XX, políticas de higienização com o intuito de modernizar as regiões civilizadas. Nesse sentido, o projeto exibiu proporções distintas e estabeleceu uma limpeza social, a qual elitizou espaços públicos e afastou famílias para as periferias da cidade. Atualmente, esse cenário histórico de segregação urbana também está presente no Brasil e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela desigualdade social, seja pela ineficiência estatal – impede o acesso a direitos básicos e a formação de uma vida digna.

A princípio, cabe analisar a disparidade social sob a visão do sociólogo alemão Karl Marx. Segundo o autor, a concentração de renda nas mãos de poucas faz com que contextos sociais sejam influenciados pelas condições econômicas. Analogamente, o presente cenário dos centros urbanos – no qual grande parte dos espaços coletivos são centrados para receber pessoas de alta renda e dificultam a inclusão de minorias sociais – permite que cidadãos vulneráveis economicamente sejam marginalizados e facilita a criação de sub-habitações nas regiões periféricas. Por consequência, gradativamente, o acesso a qualidade de vida tende a ser limitado e a composição urbana torna-se cercada por moradias inadequadas.

Ademais, além da desigualdade social, o papel estatal ineficiente também auxilia na problemática e convém ser contestado sob a perspectiva do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Dessa forma, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos de combate à segregação urbana, os quais, frequentemente, não conseguem fornecer condições igualitárias para as diferentes classes sociais e permitem que populações carentes habitem locais precários. Logo, observa-se prejuízos para a formação cidadã com o aumento de restrições dos princípios mais básicos, como a moradia digna e saúde qualificada.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, ONGs assistencialistas, por meio de programas de inclusão social com o Ministério da Cidadania, devem impedir a elitização dos espaços públicos e potencializar a participação de grupos minoritários nos afazeres urbanos, especialmente em regiões envolvidas por favelas e cortiços. Dessa maneira, será possível difundir o bem-estar para toda a sociedade e diminuir a segregação presente no país. Além disso, o governo, a partir da revitalização de imóveis negligenciados, deve oferecer moradias dignas para classes de baixa renda, a fim de facilitar o acesso a direitos básicos e garantir que cenários discriminatórios fiquem apenas nos fatos históricos das políticas de higienização brasileira.