Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 12/05/2020
Na obra cinematográfica “O parasita”, dirigida por Joon-Ho, é retratada a discrepância de moradia em uma cidade coreana, onde a família do protagonista vive em um local insalubre, com recorrentes enchentes, enquanto seu patrão vive em um bairro nobre, com casas deslumbrantes. Apesar do filme ser uma crítica à divisão socioeconômica nas áreas urbanas da Coreia, essa realidade se adequa ao Brasil, por causa das suas regiões inadequadas para vivência, que geram a continuação dessa segregação nos municípios, mostrando que a cidade é para apenas parte da população.
Mormente, é imperioso destacar que há áreas que são impróprias para moradia no Brasil. A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, impulsionou o êxodo rural, ou seja, a mudança em massa da população do campo para a cidade. Por ser um movimento repentino, a área urbana não foi planejada para receber essa população e muitos tiveram que morar em locais de condições e preços inferiores, chamados de submoradias. Dessa forma, essas regiões podem ser precárias, com ausência de saneamento básico ou risco de desmoronamento, por exemplo, colocando as vidas que ali habitam em perigo. Conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, em 2017, cerca de 54% dos esgotos não eram tratados, reforçando a ausência de cuidados em zonas pobres.
Por conseguinte, vale ressaltar que a negligência com as submoradias gera a continuação do ciclo da pobreza e segregação socioeconômica. Consoante o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha cerca de 11,4 milhões de pessoas morando em favelas. Esses fatos mostram que é grande a quantidade de pessoas vivendo de maneira precária. Conquanto tal fato, mediante projetos e manutenção nas cidades é possível romper com essa divisão nos municípios, e isso deve ser feito pelo estado, pois, segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever dele organizar a sociedade e garantir para a população o que ela necessita para viver com qualidade.
Portanto, é indubitável a necessidade de mudança. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional, juntamente aos prefeitos de cada município, promoverem uma transformação urbana, com reformas em regiões inapropriadas para moradia, transferindo essa população para novas casas em locais seguros, por meio de verbas governamentais, a fim de cessar essa divisão socioeconômica. Destarte, a cidade é formada para todos, evitando a situação vista no filme supracitado.