Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 08/06/2020

A urbanização brasileira teve seu início no século XX, com a industrialização e o êxodo rural (saída do campo para a área urbana). Desde então, vem sendo desenvolvida. Com o aumento excessivo da população e a má gestão aplicada a ela e aos espaços, no todo, a vida urbana torna-se desigual e exclusiva. Além disso, o foco de desenvolvimento e melhoria permanece sendo os lugares já aprimorados e estáveis, ao invés de dar atenção para as regiões periféricas.

Primeiramente, é preciso ter em mente a macrocefalia urbana, fenômeno de crescimento desequilibrado da população. Tal processo exige planejamento e gestão elaborados e grandes esforços para que haja organização da sociedade, entretanto, essa não é a realidade, e a partir da má gestão surgem e crescem as periferias. A pobreza, exposição a doenças, acesso precário a educação e ao saneamento básico são comuns nessas regiões. Além disso, segundo Martim Smolka, do Institute of Land and Policy, todos esses pontos (a desorganização, suas consequências sociais e espaciais desfavoráveis) levam não somente a exclusão social e a desigualdades marcantes, mas a falta de acessibilidade a opções de inserção na vida urbana mais favorável.

Ademais, uma contradição é bastante notável na problemática. Conforme análise do arquiteto e urbanista José Bassul, há desenvolvimento de áreas desenvolvidas enquanto não há ênfase em áreas precárias e desfavorecidas, que enfrentam tantas adversidades. Desse modo, a parte da sociedade brasileira que não tem condições básicas de saneamento, infraestrutura, educação e até mesmo lazer, fica de lado enquanto áreas desenvolvidas recebem mais benefícios, progride em polos econômicos e aprimora os mais diversos sistemas. Tal processo revela o conformismo que habita na má gestão da sociedade, deixando parte dela de lado, como se não houvesse um problema para se resolver.

Destarte, para que haja garantia de direitos mínimos para toda a população brasileira, aumentando possibilidades de inclusão, o Poder Executivo deve desenvolver um projeto que vise a propor ações de remediação nos pontos críticos das periferias, como saneamento básico, infraestrutura, acesso a educação, coleta de lixo e etc. A ação deve ser feita por meio da admissão de engenheiros, arquitetos, garis, e todos os profissionais necessários para executarem o trabalho. Posto isso, a atividade deve ser anunciada por meio da televisão, em canais abertos, para informar principalmente os moradores da periferia sobre o que e quando será feito. Desse modo, além de empregar cidadãos, uma mudança relevante será iniciada na sociedade, e a ordem será de fato estabelecida, junto ao progresso.