Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 29/06/2020
O cortiço, obra naturalista de Aluízio de Azevedo retrata a construção de um cortiço que dá nome ao livro. Um aglomerado de gente de todas as cores, raças e crenças vivendo juntas sem estrutura, saúde e educação de qualidade, as margens da cidade e reféns da pobreza. Ainda que se trate de uma obra do século XIX, a temática é atual levando em conta as favelas brasileiras que lutam para sobreviver com condições iguais ou piores que às retratadas no livro. Esse conjunto de fatores, aliados à ausência de políticas públicas e a valorização das regiões nobres das cidades excluem os cidadãos de baixa renda e geram uma falsa ideia de desenvolvimento com a riqueza circulando na mão de poucos e a pobreza na mão de muitos, evidenciando que a cidade não é para todos, sendo esse, um dos maiores problemas a serem superados pelo Brasil atual.
Um dos grandes desafios da atualidade brasileira são as camadas populares que vivem nas favelas e periferias nas quais predominam a falta de oportunidades das mais diferentes naturezas. segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil tem cerca de 13,6 milhões de moradores em favelas e arredores e movimenta milhões de reais todos os anos e, ainda assim esse dinheiro não volta em forma de benefícios como: saúde, educação e segurança garantidos pela constituição de 1988. Ocorre um insistente processo de segregação e exclusão com os periféricos de origem histórica, desconsiderando a importância social e econômica deles, uma vez que eles são os pilares da economia na maioria das vezes. Podemos evidenciar esse processo na fala de João Baptista Figueiredo, ex Presidente da República: " A solução para as favelas é jogar uma Bomba Atômica."
É preciso pensar que os problemas da vida urbana no século XXI não se resumem somente as favelas, mas à um conjunto de fatores sociais e econômicos como os processos de industrialização e a busca incessante do capitalismo por acumulação de riqueza, que gera à pobreza das pessoas que trabalham nesse sistema e que precisam se locomover para áreas de produção, diariamente em coletivos lotados e precários, tudo isso associado a condições de trabalho e salários terríveis fazem com que elas fiquem as margens do progresso em favelas e subúrbios.
Dado o exposto, compreende-se a necessidade de políticas públicas que resolvam os problemas. Para isso, O Governo Federal criará o projeto " Periferia viva" que consistirá em análises detalhadas dos percentuais de contribuição nos impostos pagos e o mesmo será devolvido em serviços garantidos por constituição como saúde e educação de qualidade. Ocorrerá também a concessão de auxílios que garantam a renda básica das camadas mais vulneráveis, desde que comprovada sua necessidade, não só das favelas, mas do país como um todo gerando equidade para os cidadãos e o progresso.