Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 29/06/2020
O processo moderno de urbanização, acentuado com as revoluções industriais no século XIX, levou à concentração de grande parte das pessoas em metrópoles. Atraída pela promessa de acesso ao trabalho, a bens e a serviços, cerca de 50% da população mundial vive hoje em cidades. Porém, as efetivas condições de vida desse contingente varia radicalmente entre os diferentes países do globo. Dessa forma, podemos afirmar que, no caso brasileiro, os grandes centros urbanos não têm sido democráticos, pois ao mesmo tempo em que incluem, são excludentes.
Tal constatação pode ser comprovada pelo descompasso entre o inchaço das grandes cidades e a dificuldade de acesso à moradia e à infraestrutura. Segundo a ONU, cerca de 30% da população urbana mundial vive na absoluta pobreza. Aproximadamente 30 milhões de famílias não têm onde morar e mais de 900 milhões delas vivem em favelas. Esses são problemas que também afligem o Brasil, onde o processo de favelização iniciado no século XIX foi acentuado de forma vertiginosa no século XX, apesar do desenvolvimento econômico e do parque industrial. Assim, boa parte dos brasileiros não têm acesso a saneamento básico, saúde, sistema de transporte eficiente e lazer, mesmo quando vivendo em cidades com grande fluxo financeiro, pois os recursos são concentrados em determinados grupos sociais e, mais concretamente, em alguns bairros específicos.
Paralelamente a isso, ocorre o processo de gentrificação que, ao expulsar os moradores de baixa renda para bairros menos cobiçados, acentuam o problema. Um exemplo que pode ilustrar isso é a cidade do Rio de Janeiro nos anos anteriores à realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Nela, diferentes localidades até então desvalorizadas, como os morros do Vidigal e do Cantagalo, começaram a ser alvo de diferentes ações da prefeitura, que conseguiu atrair para elas o setor imobiliário.Entretanto, boa parte da população acabou saindo desses bairros, que se elitizaram, e foram para regiões mais baratas nas periferias da cidade, perpetuando o problema, agora acentuado pelas grandes distâncias a serem percorridas durante o deslocamento diário para o trabalho.
Portanto, para diminuir a cristalização das desigualdades sociais na geografia das cidades e garantir que as metrópoles sejam mais democráticas, é necessário que moradia e infraestrutura sejam garantidas a todos, independentemente de renda. Para isso, as prefeituras deveriam estabelecer, se ainda não o têm, ou atualizar seu Plano Diretor Municipal da forma mais inclusiva possível, dialogando com diferentes setores e organizações sociais. Com isso, seria possível a redistribuição de terrenos e construções inutilizadas, inclusive em regiões mais centrais dos municípios, além de reorganizar o planejamento de bairros periféricos, incluindo saneamento, lazer e transportes.