Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 01/10/2020
O processo de urbanização do Brasil ocorreu de forma rápida e desordenada, causando sérios problemas sociais, como o inchaço das grandes cidades e crise de mobilidade. Hodiernamente, devido a esse crescimento, grande parte da população brasileira, especialmente, aqueles que possuem baixo poder aquisitivo, moram em regiões afastadas dos centros e por não possuírem meios de locomoção individuais, gastam muito tempo para se deslocarem. Desse modo, os principais fatores que corroboram essa mazela social são: falta de planejamento urbano e a desigualdade social.
Em primeiro plano, é válido pontuar que, com o surgimento da Revolução Industrial, grandes transformações ocorreram nas metrópoles, como, por exemplo, a instalação de empresas nos centros urbanos e a substituição do trabalho artesanal pelo trabalho assalariado. Nessa perspectiva, muitos indivíduos migraram para esses centros em busca de trabalho e melhores condições de vida, porém, essas cidades não conseguiram acompanhar a demanda populacional que se instalava ,e , por isso, problemas relacionados a engarrafamento, violência no trânsito e falta de saneamento básico em certas moradias foram gerados e perduram até os dias hodiernos. Logo, medidas precisam ser tomadas e urgentes para minimizar essas patologias sociais, afinal, segundo a ONU, em 2050, 60% da população mundial será urbana.
Em segundo plano, de acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, a violação aos direitos humanos surge, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam a dignidade humana ou grupo social. Nesse ínterim, é fato que a forma como a ocupação das cidades brasileiras foram feitas, impede o bem-estar de muitos cidadãos, afinal, os grandes centros nos quais se encontram a maioria dos postos de trabalho, casas culturais e shoppings são ocupados por pessoas de grande poder aquisitivo. Nesse sentido, as pessoas de baixa renda, por gastarem muito dinheiro e tempo para se deslocarem de suas residências aos postos de trabalho durante a semana, não dispõem de recursos financeiros para frequentarem cinemas e teatros, sendo impedidos de desfrutarem de momentos de lazer e cultura. Diante disso, percebe-se que as cidades brasileiras são segregacionistas e pouco inclusivas.
Destarte, é papel da alta cúpula governamental em parceria com o setor de planejamento urbano, investir insumos nas áreas mais periféricas das cidades, por meio da instalação efetiva de tratamento de água e esgoto nessas residências, construção de praças e centros de cultura, para que esses cidadãos de baixa renda sejam assistidos pelo corpo social e possam usufruir dos direitos previstos, como a qualidade de vida e o lazer. Ações como essas, farão das cidades brasileiras locais mais harmoniosos e integrados, valorizando e priorizando o bem-estar dos seus moradores.