Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 20/11/2020

No início do século XX, no Brasil, o prefeito do Rio de Janeiro Pereira Passos estabeleceu medidas que tinham o objetivo de revitalizar a cidade e torná-la mais limpa. O preço dessas ações foi a expulsão de pessoas dos centros urbanos e a formação de favelas em periferias. Apesar de distante na história, isso continua acontecendo nas metrópoles brasileiras, fato evidente na arquitetura hostil e no planejamento urbano míope, como conceituado por Jane Jacobs, que afetam principalmente as populações pobres.

Nessa conjuntura, as cidades brasileiras são construídas e desenvolvidas baseadas em uma arquitetura hostil, que privilegia as elites e seu estabelecimento no espaço e degrada ainda mais a qualidade de vida de populações menos favorecidas. Isso se revela na gentrificação do espaço público, pelas privatizações e revitalização de construções que deveriam pertencer à sociedade como um todo, mas acabam excluindo e expulsando pessoas pobres que antes habitavam aqueles espaços e precisam migrar para locais afastados dos centros urbanos, como ocorreu com as medidas de Pereira Passos, no Rio de Janeiro. Dessa forma, os ricos acabam cada vez mais privilegiados e os pobres, mais periferizados, tornando evidente que as cidades não são para todos.

Além disso, como definido por Jane Jacobs em sua obra “Morte e vida das grandes cidades”, o planejamento urbano é míope e desumanizado, pois se torna cego às necessidades de populações periféricas e volta a atenção aos desejos de uma elite privilegiada. A partir disso, a conexão entre as várias comunidades presentes nas redes urbanas se torna fraca e esse fato acaba enfraquecendo a democracia, uma vez que esta é exercida nos espaços públicos, como aponta Hannah Arendt em “A Condição Humana”. Sendo assim, o enfraquecimento da discussão e da igualdade, provenientes do mau planejamento urbano, afeta o pleno funcionamento da política e sociedade brasileira, que são, em tese, democráticas.

Portanto, tendo consciência da necessidade de tornar as cidades um lugar para todos, urge que medidas sejam tomadas pelos governos e prefeituras brasileiros, com o auxílio financeiro do Governo Federal. Isso deve ocorrer por meio do direcionamento de investimentos para a revitalização de áreas periféricas, por meio do asfaltamento de ruas e construção ou reconstrução de prédios públicos presentes nesses lugares. Para que a democracia se revele por meio dos espaços públicos igualitários e a qualidade de vida dessas populações periféricas aumente.