Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?
Enviada em 26/11/2020
O filme ‘‘Tempos Modernos’’, protagonizado por Charlin Chaplin, retrata o processo, acelerado, de urbanização das cidades, o qual acaba contribuindo para a segregação das camadas menos favorecidas. Da ficção para a realidade, o mesmo cenário se repete, pois problemas como a marginalização social e a falta de acessibilidade são fatores que a cidade não é para todos. Dessa forma, faz-se necessário medidas exequíveis para sanar as problemáticas que cercam a vida urbana.
Em primeiro lugar, a marginalização social é um dos fatores que compromete a qualidade de vida nas cidades, pois favorece as camadas sociais que possuem maior poder aquisitivo em detrimento das menos favorecidas. Exemplo disso é o processo de gentrificação, o qual consiste em retirar dos grandes centros urbanos os mendigos, casebres e os moradores que não podem acompanhar a valorização imobiliária dessa determinada localidade. Dentro dessa ótica, é notório que a segregação acontece quando os cidadãos recebem de forma desigual os benefícios que o meio urbano oferece, seja na moradia; saneamento básico; transporte público ou qualquer outro recurso, inalienável, a toda população. Assim, o fator marginalização social é preciso ser combatido.
Além disso, a falta de acessibilidade é outro aspecto que contribui para a precariedade, visto que prejudica o direito de ’’ ir e vim’’ da população. A título de comparação vale lembrar do concurso que ocorreu na União Europeia, em 2020, denominado de ’’ Cidade acessível’’, o qual objetivava a criação de ideias que possibilitassem a construção de uma cidade democratizada, por meio da acessibilidade. Entretanto, esse cenário ainda não é a realidade das cidades do Brasil, pois ainda há precariedade nas calçadas, para deficientes visuais e cadeirantes; nas ciclovias e no transporte público, o que acaba desfavorecendo os indivíduos que possuem limitações. Dessa feita, urge a necessidade de combater esse entrave.
Portanto, é evidente que a urbanização é um processo desigual. Por isso, é imprescindível que a Secretaria Nacional da Habitação- ente responsável pelo direito à moradia no país- combata a marginalização das camadas menos favorecidas financeiramente, por meio do financiamento e incentivo ao programa ’’ Minha casa, minha vida’’, a fim de diminuir a segregação. Ademais, é preciso que o Governo estadual- ente responsável pela administração de cada estado- promova a acessibilidade, por meio da construção de rampas e ciclovias, objetivando a democratização do direito de ’’ ir e vim’’. Pois, somente assim, os problemas vistos no filme, ’’ Tempos Modernos’’, não perdurarão, por mais tempo, na era contemporânea.