Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 30/03/2021

Apesar de ser um retrato da vida urbana e suas desigualdades no século XX, o livro O Cortiço ainda se faz realidade das cidades do século XXI. A gritante falta de condições básicas que devem ser oferecidadas pelas cidades aos seus moradores e as grandes aglomerações em centros urbanos, são reflexos da escassez de planejamento governamental, vindo desde os primórdios da industrialização brasileira, desigualdade social e da crescente valorização de bairros antigos e centrais. Tais fatores, mostram cada vez mais o caráter capitalistas das grandes cidades e a busca pelo lucro, sendo cada vez menos prioridade o bem-estar dos seus moradores.

Primeiramente, a gentrificação ou valorização de certa área (geralmente em grandes centros urbanos), atualmente, é um dos principais motivos para a realocação de pessoas que já haviam se fixado e estabilizado em certo bairro ou residência. A gentrificação, apesar de levar à valorização de regiões através da construção de prédios, residências e comércios, causa, através dessa alta, o aumento aluguéis, impostos, condomínios etc. Assim, muitos moradores antigos são obrigados a se mudarem para locais com baixa qualidade de vida e até mesmo violentos e perigosos.

Além desse fator, a má destribuição de renda e de oportunidades de emprego, que causam a migração à procura de melhores condições de vida em grandes cidades, aliado a escassez de planejamento urbano (vindo desde a industrialização do Brasil), mostram cada vez mais o quanto as cidades não estão bem preparadas para atender de forma adequada seus cidadãos. Dessa forma, comunidades e bairros periféricos quando comparados com regiões centrais de prestígio mostram o quanto o dinheiro,o lucro e o benefício próprio são mais valorizados do que a qualidade de vida de quem hábita determinda cidade.

Potanto, visto que as cidades contém inúmeras desigualdades, pode-se concluir que não se comporta como um espaço igualitário para todos. Para que tal cenário seja revertido, cabe ao governo, tanto estadual, quanto municipal, implantar medidas e programas de revitalização em áreas deixadas sem cuidados (como favelas, comunidades, periferias etc), além de, junto ao governo federal, gerar ações para criação de novas oportunidades de empregos e estudos. Assim, ao longo do tempo, o país brasileiro poderá gerar uma sociedade mais igualitária e consequentemente cidades menos desiguais e não voltadas a apenas uma parcela da população.