Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 23/04/2021

“Mafalda”, personagem criada pelo cartunista Quino, demonstra, ainda na infância, sua grande preocupação quanto aos cuidados com questões sociais. Entretanto, a importante lição altruísta de Mafalda está longe de se tornar real, uma vez que o processo de gentrificação têm “expulsado” moradores de regiões periféricas e transformando em regiões nobres, dificultando o custo de vida nas cidades urbanas. Para desconstruir esse cenário nefasto, faz-se crucial mitigar não só a inoperância do Estado, como também a falta de zelo do corpo social.

Antes de tudo, é fulcral analisar a postura governamental frente ao crescente processo de transformação na vida urbana. A esse respeito, o contratualista John Locke afirma em sua teoria do “Contrato Social”, que é dever do Estado garantir os direitos naturais do cidadão, dentre eles, a dignidade. No entanto, a falta de intervenção do Poder Público com o aumento de especulação imobiliária em lugares que antes eram considerados periféricos e passaram a ser ressignificados, contribuiu para a migração de parte dos habitantes para outros bairros, por aumentar o custo de vida desse lugar. Nesse sentido, é indubitável que medidas sejam tomadas para mudar esse panorama.

Ademais, a indiferença de substancial parcela da população acerca do processo de gentrificação mostra-se empecilho para melhorias na vida urbana. A comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro é um bom exemplo. Antes, era predominantemente habitado por casas sem estruturas, e atualmente, casas de luxos vem ganhando cada vez mais espaço, valorizando o local e mudando gradativamente o perfil de moradores, que não se preocupam com a alteração no modo de vida das pessoas que já moravam nesse lugar. Desse modo, é necessário que haja uma desconstrução desse pensamento errôneo desses cidadãos.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Nesse sentido, o Poder Público -importante órgão garantidor dos direitos do cidadão- deve criar programas por meio de workshops com o objetivo de ajudar pessoas que moram em locais periféricos em ascensão a empreender e melhorar a condição de vida nas cidades, a fim de evitar a exclusão de alguns grupos sociais para outros lugares. Assim, far-se-á jus ao zelo pelas questões sociais prezados pela personagem Mafalda.