Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 23/04/2021

A Urbanização, processo em que o número de pessoas do espaço urbano cresce mais que do rural, aconteceu de forma rápida e desordenada, fomentando a divisão característica das metrópoles entre periferia e centro. A partir disso, é nítido que as áreas centrais de desenvolvimento são ocupadas, majoritariamente, por indivíduos de classe média alta, enquanto que as periféricas, por os de baixa renda, expondo o quanto a cidade não é para todos. Tal fato se perpetua, ora pela herança da formação das regiões metropolitanas, ora pela segregação espacial histórica.

Em verdade, o crescente preço dos imóveis e do custo de vida nos núcleos urbanos tem contribuido para desigualdade, sendo fatores decorrentes devido ao modo de surgimento das cidades. Sob esse viés, com o crescimento industrial, iniciado pelos estímulos financeiros durante o Governo de Getúlio Vargas, houve, no século XIX, um intenso êxodo rural, migração de pessoas do campo para as metrópoles, em busca de melhores oportunidades. Todavia, o que se suscedeu foi a formação do proletariado, empregados das fábricas, que, por não dispor de condição econômica para morar nas áreas centrais, instala-se em zonas de encosta e insalubridade. Dessa maneira, quase um século depois, o processo mencionado acentua-se vertiginosamente, expresso pela associação entre a gentrificação, marcada pelo aumento do preço de serviços de uma região, impondo o deslocamento de pessoas que residiam no local, e a especulação imobiliária. Assim, é essencial que o Governo atue em políticas públicas que promovam uma maior igualdade na ocupação das cidades.

Outrossim, é evidente a existência de uma separação no meio urbano. Nessa perspectiva, ele é dividido em dois blocos, o da periferia, onde se situam as “favelas”, compostas por uma população que, em sua maioria, é pobre e negra, e o centro, onde ficam as áreas nobres, ocupadas, na maior parte, por ricos e brancos. Desse jeito, a conjuntura atual é resultado de uma segregação histórica vivida no Período Colonial, em que os engenhos eram formados pela casa grande, residência do senhor de engenho e sua família, e as senzalas, as habitações dos negros escravizados. Logo, é urgente medidas de reparo nas periferias que, analogamente, reprezentam as senzalas do Brasil Colônia.

Destarte, com intuito de mitigar os problemas supracitados, mister que o Governo expanda os projetos que viabilizam a construção de casas populares, inserindo-os no contexto dos núcleos urbanos, ambientes com desenvolvimento socioeconômico, por meio de subsídios tributários, com o fito de que as porcentagens referentes aos moradores de baixa renda e os de classe média alta, nas cidades, tornem-se próximas. Ademais, é imprescindível que o Estado invista na melhoria da infraestrutura das periferias, disponibilizando desenvolvimento e ascensão a seus moradores.