Vida Urbana no século XXI: A cidade é para todos?

Enviada em 23/04/2021

A Primeira Revolução Industrial trouxe, para o Brasil, inúmeras vantagens nos âmbitos econômico e social. Contudo, embora tenha beneficiado uma parte da população, muitas pessoas se prejudicaram em relação a sobrevivência nas cidades em processo de urbanização do século 19. No contexto hodierno, esse problema ainda se mostra marcante na sociedade, visto que fatores políticos e sociais contribuem para os desafios de uma integração total nas cidades brasileiras.

Decerto, é notório que a instabilidade de muitos brasileiros no tocante à moradia em cidades cada vez mais urbanizadas se mantém decorrente de uma falha estatal. Sob esse viés, o livro “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, retrata a realidade de vários brasileiros do século 19, que viviam em situações lamentáveis nos cortiços do Rio de Janeiro. Paralelamente à ficcção, as favelas do Brasil ainda abrigam muitas pessoas do Sudeste, uma das primeiras regiões industrializadas do País, que teve como consequência dessa urbanização a criação de ambientes marginalizados, que não recebem o mesmo apoio do Governo, comparado com os outros locais.

Ademais, destaca-se como intensificadora da problemática a falta de participação de muitos brasileiros quanto à cobrança por medidas governamentais. Nesse contexto, cabe evidenciar a frase do escritor Lima Barreto, o qual afirmou que “o Brasil não tem povo, tem público”, premissa que reflete nitidamente como é grande parte da sociedade que só vê os problemas, fala sobre eles, mas pouco age no seu combate. Seguindo essa linha de pensamento, é importante ressaltar que muitas pessoas, por viverem em cidades grandes e urbanizadas, precisam se adaptar aos altos impostos e aos altos preços que instalam naquele local, o que gera, muitas vezes, o deslocamento desses moradores para outros ambientes. Logo, faz-se urgente uma mudança dessa inércia social.

Destarte, é dever do Governo um maior investimento em áreas periféricas do País, contribuindo para uma educação de qualidade e moradia estável nesses locais, por meio de uma reorganização orçamentária que vise ao bem-estar de todos. Além disso, cabe aos cidadãos brasileiros conscientes, tendo em vista estarem inseridos em uma sociedade democrática, uma atenção maior no que se concerte à cobrança exagerada de impostos, com o fito de melhorar a vida daqueles que moram há muito tempo nas cidades, sem a necessidade de se deslocar.